← Blog

· 6 min de leitura

5 erros que compradores cometem ao simular financiamento na planta

Uma simulação errada pode prejudicar tanto quanto nenhuma simulação. Você decide com base em números que não refletem a realidade e só descobre o erro depois de assinar o contrato, com multa de distrato na cláusula.

Estes são os 5 erros mais comuns, com o tamanho do estrago de cada um.

1. Ignorar os juros de obra

É o erro mais frequente e o que mais pega de surpresa. Muita gente simula só a parcela pós-chaves e esquece que, durante a construção (12, 24, 36 meses), vai pagar juros mensais que crescem todo mês, à medida que o banco libera dinheiro pra construtora.

Em um financiamento de R$ 300.000 com obra de 24 meses e liberação uniforme, os juros de obra somam cerca de R$ 31.000 (taxa de 10,5% a.a.). É quase um carro popular pago antes da primeira parcela "de verdade", e precisa estar no planejamento desde o dia 1.

Como evitar: simule a fase de obra completa, mês a mês, e olhe o valor do último mês da obra (o mais alto), e não o do primeiro.

2. Calcular os juros de obra sobre o valor errado

"Vou dar 30% de entrada, então financio 70%." Até aqui, certo. O erro é calcular os juros de obra sobre o valor total do imóvel, quando eles incidem sobre o valor financiado e já liberado.

Se o imóvel custa R$ 400.000 e a entrada é de R$ 120.000, os juros incidem sobre os R$ 280.000 financiados e, dentro disso, só sobre a fatia que o banco já repassou à construtora. Errar essa base infla a simulação em 40% e pode fazer você desistir de um negócio que cabia no bolso. O erro oposto também acontece: subestimar usando só a primeira liberação.

Como evitar: confirme o valor financiado (imóvel menos entrada) e use o cronograma de liberações como base dos juros, e não o total.

3. Não incluir taxas e seguros

Toda parcela de financiamento habitacional carrega juros, amortização, taxa de administração, MIP (seguro por morte e invalidez) e DFI (seguro de danos físicos ao imóvel). Simulações caseiras costumam mostrar só juros e amortização.

A ordem de grandeza: taxa de administração de ~R$ 25/mês (Caixa), MIP que cresce com a idade do mutuário (pode passar de R$ 100/mês para quem assina depois dos 45) e DFI proporcional ao valor do imóvel. No total, R$ 120 a R$ 250 por mês, ou R$ 50.000 a R$ 90.000 ao longo de 30 anos, o preço de um segundo carro.

Como evitar: peça o CET (Custo Efetivo Total) da proposta, que consolida tudo, e inclua esses valores na simulação.

4. Usar uma taxa de juros genérica

"Ouvi que a taxa da Caixa é 10% ao ano." Essa informação pode ficar desatualizada em semanas, e a taxa real depende do seu perfil de crédito, do relacionamento com o banco, do programa (SBPE, Pró-Cotista, MCMV) e do momento do mercado.

Em R$ 300.000 por 30 anos (SAC), cada 1 ponto percentual de taxa muda o total de juros em cerca de R$ 40.000. Simular com 10% quando sua proposta real sai a 11,5% esconde R$ 60.000 do custo.

Como evitar: use a taxa exata da proposta comercial e cote em mais de um banco antes de aceitar a primeira.

5. Esquecer o INCC na fase de obra

Na planta, a parte da dívida com a construtora (entrada parcelada, balões) e, conforme o contrato, o saldo a financiar são corrigidos pelo INCC durante a construção. Com o índice rodando entre 5% e 8% ao ano, uma obra de 24 a 36 meses acumula 10% a 25% de correção, e mais em períodos de alta do índice.

Uma entrada parcelada de R$ 120.000 pode passar de R$ 135.000 até as chaves só de correção. Quem não simula o INCC descobre o "imóvel que encareceu sozinho" da pior forma.

Como evitar: leia a cláusula de correção do contrato. Se houver INCC (quase sempre há), ative-o na simulação com a média histórica recente e rode também um cenário pessimista.

Bônus: os custos da entrega

Nenhuma simulação de parcela cobre ITBI (2% a 3% do imóvel), registro em cartório e taxa de avaliação do banco, que somam cerca de 4% a 5% do valor do imóvel, à vista, na época das chaves. Isso é falha de planejamento, e a simulação não resolve. Reserve esse valor em paralelo durante a obra.

A simulação certa não precisa ser perfeita

Nenhuma simulação é 100% precisa. INCC futuro, atraso de obra e taxa da época das chaves são incertezas reais. Uma simulação com a base certa (valor financiado), as duas fases (obra + pós-chaves), o INCC e o CET completo erra por margem pequena, enquanto um chute erra por dezenas de milhares de reais.

Use a ferramenta jurosobra.com.br para simular com todos esses elementos de uma vez. O resultado sai mês a mês, da assinatura à última parcela.


Simule agora com seus dados reais em jurosobra.com.br

Abrir simulador de juros de obra →