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· 6 min de leitura

Regra dos 30% da renda: como o banco calcula, o que conta e como encaixar

Quem tenta financiar um imóvel ouve, em algum momento, que "a parcela não pode passar de 30% da renda". A regra existe, é aplicada e é o filtro que mais reprova proposta de financiamento. O jeito como o banco calcula, porém, tem detalhes que muita gente só descobre na hora errada, quando o crédito é negado.

Este post mostra como a regra é aplicada na prática.

A regra básica

A parcela do financiamento (juros + amortização + taxa de adm + seguros), somada às outras dívidas mensais do mutuário, não pode passar de 30% da renda bruta familiar comprovada.

Em fórmula:

(Parcela do imóvel + outras parcelas de dívidas) ÷ Renda bruta familiar ≤ 30%

A regra vem da regulamentação do SFH (Sistema Financeiro de Habitação) e historicamente aparece em diretrizes do Banco Central e da Caixa. Cada banco pode ter variações (alguns aceitam 35% para certos perfis, outros são mais rigorosos), mas 30% é o teto comum.

O detalhe que mais reprova: qual parcela o banco usa?

No sistema SAC, a primeira parcela é a maior e cai ao longo do tempo. No Price, a parcela é constante. O banco usa a primeira parcela para avaliar o comprometimento, e não a média.

No caso de imóvel na planta, há outro ponto: o banco analisa o crédito agora, mas a primeira parcela pós-chave só começa daqui a 24+ meses, e sua renda nessa data pode ser outra.

Já vimos casos assim: comprador aprovado na assinatura com R$ 12k/mês muda, dois anos depois, para um emprego de R$ 9k/mês. Na entrega das chaves, o banco refaz a análise, e a parcela de R$ 3.500 passa a pesar 39% da renda atual. Crédito negado, mesmo com contrato assinado.

Por isso muitos bancos pedem revalidação de renda na entrega das chaves, e ela pesa de verdade.

O que conta como renda

Tipo de renda Aceita? Como comprovar
Salário CLT Sim, 100% 3 últimos contracheques
13º salário e férias Sim, mas com peso menor DIRPF
Pró-labore Sim Recibo + contrato social
Distribuição de lucros Geralmente sim DIRPF + balanço
Aposentadoria/Pensão INSS Sim, 100% Extrato INSS
Aluguel recebido Sim, mas geralmente 50% a 70% Contrato de locação + DIRPF
Renda de autônomo Sim, com média de 12+ meses DECORE + extrato bancário + DIRPF
Bônus/PLR Geralmente excluído ou parcial Histórico de 2 anos
Renda informal Não conta Não se aplica
Renda do exterior Sim, mas com regras específicas Conversão para BRL + DIRPF

Na prática, o banco quer ver continuidade comprovada. Renda esporádica ou sem documento não entra.

E as outras dívidas?

Antes de calcular o comprometimento com o imóvel, o banco soma suas outras parcelas mensais:

A regra dos 30% vale sobre o conjunto.

Exemplo

Em SAC de 30 anos a 10,5% a.a., esses R$ 800/mês a menos na parcela permitida tiram aproximadamente R$ 70.000 do valor financiável.

Por isso quitar dívidas antes de pedir o financiamento é uma das formas mais eficazes de subir o teto de aprovação.

O que conta como "parcela do imóvel"

Item Entra na conta dos 30%?
Amortização + juros Sim
Taxa de administração mensal Sim
Seguro MIP Sim
Seguro DFI Sim
Condomínio Não (mas o banco pode olhar como capacidade de pagamento)
IPTU Não (mas idem)

Em geral, a parcela "cheia" usada na regra soma amortização, juros, adm e seguros, e pode ser de 5% a 8% maior que a parcela "só financeira" que muitas simulações online mostram.

Como subir o teto: cinco caminhos

1. Compor renda

O banco aceita até 3 ou 4 compositores de renda: cônjuge, irmão, pais. A renda de todos é somada, e o teto sobe na mesma proporção.

Todos os compositores ficam corresponsáveis pela dívida. Se houver inadimplência, todos respondem. (Falamos disso aqui.)

2. Aumentar a entrada

Mais entrada significa menos financiado e parcela menor. Cada R$ 50 mil a mais na entrada reduz a parcela em ≈ R$ 470/mês (taxa de 10,5%, 30 anos, SAC).

3. Esticar o prazo

De 30 pra 35 anos, a parcela cai de 8% a 10%. O total de juros sobe, então essa manobra serve pra encaixar no comprometimento, e não pra economizar.

4. Quitar dívidas pequenas

Carro, consignado e cartão. Quitar libera espaço dentro dos 30%, e em casos com várias dívidas pequenas, quitar 1 ou 2 já basta pra entrar nos limites.

5. Comprar um imóvel mais barato

É a opção que ninguém quer ouvir, e a mais direta. Se o banco não aprova R$ 350k mas aprova R$ 280k, procure um imóvel dentro do orçamento ou junte dinheiro por mais 1 ou 2 anos.

O que fazer antes de ir ao banco

  1. Calcule sua renda bruta familiar comprovada (e não a líquida que cai na conta).
  2. Liste todas as parcelas mensais ativas (carro, consignado, cartão rotativo).
  3. Aplique os 30% e subtraia as outras parcelas.
  4. Use o nosso simulador com a parcela máxima permitida pra ver o valor financiável que cabe.
  5. Some a entrada disponível pra ver o valor de imóvel que cabe no seu orçamento.
  6. Compare com o que você quer comprar. Se não bater, use um dos 5 caminhos acima antes de submeter a proposta ao banco.

FAQ

O banco nega mesmo se passar de 30,01%? Em geral, sim. Alguns bancos aceitam de 32% a 35% para clientes premium ou com relacionamento longo, mas a regra base é dura.

Posso usar renda variável (autônomo, sócio)? Sim, com média de 12+ meses comprovada. O banco aplica um desconto de 20% a 30% sobre a média, pra cobrir a oscilação. Renda informal sem extrato ou DIRPF não conta.

O FGTS muda o cálculo? Não no comprometimento. O FGTS pode entrar como entrada (reduzindo o financiado) ou como amortização depois. Some como dinheiro disponível, e não como renda.

A "renda projetada" de quem vai abrir um negócio conta? Quase nunca. O banco trabalha com histórico, e não com promessa.

Posso entrar no financiamento sozinho mesmo sendo casado? Pode. É uma decisão estratégica em casos com diferença grande de idade ou de score. (Falamos disso na seção sobre seguros.)


Quer ver qual valor de imóvel cabe na sua renda? Abra o simulador ou use a calculadora de capacidade de financiamento pra ver o teto que o banco deve aprovar.

Abrir simulador de juros de obra →