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· 6 min de leitura

ITBI, registro e escritura: os custos que ninguém te avisa antes de assinar

Você pesquisou o imóvel, fez simulação, negociou a entrada e conseguiu aprovação no banco. Aí chega a entrega das chaves e você descobre que precisa de mais R$ 15.000 que ninguém mencionou.

Isso acontece o tempo todo, e dá pra evitar se você souber hoje o que vem pela frente.

Os custos que aparecem na hora H

ITBI, o imposto da transferência

É o imposto municipal pago à prefeitura quando o imóvel passa pro seu nome. A alíquota depende da cidade (valores de referência; confirme na prefeitura, porque a alíquota muda por lei municipal):

Num imóvel de R$ 400.000 em São Paulo, são R$ 12.000 de ITBI, pagos à vista, na transferência, como condição pra registrar o imóvel. Na regra da maioria das cidades, a base de cálculo é o maior valor entre o da transação e o de referência da prefeitura.

Registro no cartório

Depois do ITBI, o contrato vai ao Cartório de Registro de Imóveis. O registro é o que torna você dono e, no financiamento, registra a alienação fiduciária a favor do banco. O custo segue a tabela de emolumentos estadual, escalonada pelo valor do imóvel.

Pra um imóvel de R$ 400.000, fica entre R$ 3.000 e R$ 5.000, conforme o estado.

Escritura pública (só na compra à vista)

Com financiamento bancário, o próprio contrato do banco tem força de escritura pública (Lei 4.380/64 e legislação do SFI), e você economiza esse item. Na compra à vista, a escritura é feita em Tabelionato de Notas, por mais R$ 2.000 a R$ 6.000, também por tabela estadual.

Taxas do banco

Entram ainda a taxa de avaliação do imóvel (R$ 800 a R$ 3.000, conforme o banco) e, em alguns contratos, tarifas administrativas. Elas aparecem no Custo Efetivo Total (CET) da proposta. Peça o CET, além da taxa de juros.

A conta completa

Pra um imóvel de R$ 400.000 financiado em São Paulo:

Item Quanto
ITBI (3%) R$ 12.000
Registro (tabela SP) ~R$ 4.000
Avaliação do banco ~R$ 800
Total ~R$ 16.800

São uns 4% do valor do imóvel, em dinheiro, na época das chaves. Como regra de bolso, reserve 4% a 5% do valor do imóvel para custos de transferência.

Por que ninguém fala disso?

O corretor quer vender, o banco quer aprovar e a construtora quer fechar. Ninguém ganha nada avisando que você vai precisar de R$ 16.800 extras daqui a dois anos, e o aviso pode até fazer você desistir. A informação está no contrato e na proposta, mas ninguém a coloca em cima da mesa.

O momento certo de pagar

Na planta, o cronograma fica assim:

  1. Assinatura → entrada/sinal pra construtora
  2. Obra (12 a 36 meses) → parcelas da entrada + juros de obra
  3. Averbação do habite-se e transferência → ITBI + registro ← aqui pega todo mundo
  4. Pós-chaves → parcelas do financiamento

Se a obra dura 24 meses, você tem 24 meses pra juntar. São ~R$ 700/mês de reserva paralela, além do que você já paga de entrada parcelada e juros de obra. Coloque esse valor no orçamento desde o primeiro mês.

Dá pra reduzir ou parcelar?

Perguntas frequentes

Pago ITBI quando assino com a construtora? Não. O ITBI incide na transmissão da propriedade, que na planta acontece perto das chaves, quando a unidade é individualizada e registrada. Se a construtora cobrar uma "taxa de transferência" antes disso, pergunte o que é.

E se eu vender antes de quitar? O comprador paga o ITBI dele, e você paga custas de baixa ou de intervenientes conforme o caso. O ITBI não é reembolsável.

Condomínio e IPTU entram nessa conta? Não são custos de transferência, mas começam a correr na entrega das chaves (às vezes na expedição do habite-se, conforme o contrato), antes mesmo de você se mudar. Some os dois ao orçamento do primeiro ano.

Planeje com o número real

Some ~5% ao valor do imóvel e trabalhe com esse total desde o início, pra esse custo não chegar de surpresa.


Simule o custo total com seus dados em jurosobra.com.br

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