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Minha Casa Minha Vida em 2026: as 4 faixas, o teto de R$ 600 mil e quem ainda se enquadra

Há um ano, uma família com renda de R$ 11 mil por mês não tinha lugar no Minha Casa Minha Vida. A renda era alta demais para as faixas subsidiadas e baixa demais para pagar à vista um apartamento de padrão médio com financiamento bancário comum. Desde 22 de abril de 2026 essa família tem uma faixa nova, com juros menores que os do mercado e imóvel de até R$ 600 mil.

A mudança saiu da Portaria MCID nº 333, de 30 de março de 2026, assinada pelo ministro das Cidades Jader Filho, e entrou em operação na Caixa e no Banco do Brasil a partir de 22 de abril. Ela reorganizou o teto de renda e o teto de imóvel das quatro faixas do programa, e este post detalha cada uma.

As quatro faixas, lado a lado

Faixa Renda familiar mensal Teto do imóvel Juros aproximados Prazo máximo
1 até R$ 3.200 definido por cidade, com subsídio a partir de 4% a.a. até 35 anos
2 R$ 3.200,01 a R$ 5.000 definido por cidade entre 4% e 8,16% a.a. até 35 anos
3 R$ 5.000,01 a R$ 9.600 até R$ 400 mil entre 4% e 8,16% a.a. até 35 anos
4 R$ 9.600,01 a R$ 13.000 até R$ 600 mil cerca de 10% a.a. até 35 anos

A faixa 3 ganhou teto de imóvel maior junto com a criação da faixa 4. Antes, R$ 9.600 de renda era praticamente o topo do programa. Agora existe uma faixa acima da renda máxima anterior, ainda dentro do MCMV.

O governo estimou que a mudança alcança 87,5 mil famílias com juros menores que os do crédito imobiliário comum: 31,3 mil novas famílias enquadradas na faixa 3 e 8,2 mil na faixa 4 recém-criada. Os números são do próprio anúncio, sem medição independente.

Por que a faixa 4 importa pra quem compra na planta

A faixa 4 aceita imóvel novo, usado ou na planta, contanto que o preço não passe de R$ 600 mil. Quem está nessa faixa de renda e só cogitava o financiamento tradicional do SBPE agora tem uma taxa mais baixa para o mesmo tipo de compra.

O mecanismo da obra continua igual. Comprando na planta dentro do MCMV faixa 4, com financiamento de um banco (e não direto com a construtora), o contrato ainda tem o período de construção com liberação por medição, o que aqui no blog chamamos de juros de obra. O post sobre juros de obra no MCMV vs. SBPE explica a diferença entre juros de obra bancário e correção direta pela construtora, e por que ela depende de qual sistema financia o seu contrato.

Antes de assinar, simule os dois cenários: MCMV faixa 4 com juros menor e SBPE com taxa maior, mas sem as restrições do programa. O simulador de financiamento na planta roda o fluxo mês a mês com a taxa que você colocar.

O subsídio existe, mas só na faixa 1

Subsídio direto do governo, o dinheiro que abate o preço do imóvel sem entrar no financiamento, é coisa da faixa 1. Famílias com renda de até R$ 2.850 podem ter até 95% do valor do imóvel subsidiado, com o subsídio chegando a R$ 65 mil na região Norte e R$ 55 mil nas demais regiões, conforme a cidade, o número de dependentes e a renda dentro da própria faixa. O valor exato só sai na simulação feita pelo banco, porque a portaria define o teto, e não um valor fixo por família.

As faixas 3 e 4 não têm esse subsídio direto. A vantagem delas está no custo do crédito, com taxa de juros abaixo da praticada fora do programa. O preço do imóvel não muda.

Quem ainda não se enquadra

Ter a renda dentro da faixa é necessário, mas não basta. As regras gerais do programa, comuns às quatro faixas:

A tabela de faixas também não mostra outra camada. O teto de imóvel por cidade pode ser mais apertado que o teto nacional da faixa, e a cota de financiamento aprovada depende da análise de crédito de cada banco. A renda dentro da faixa enquadra você no programa, mas não garante que o valor financiado cubra o preço do imóvel que você escolheu.

Quem quer usar o FGTS dentro do MCMV, para entrada, para amortizar ou para reduzir a parcela, segue regras próprias de saldo e tempo de contribuição, que valem também fora do programa. O post sobre a MP 1.355/2026 e o saque do FGTS mostra o que se ganha e o que se perde ao sacar agora em vez de guardar o saldo pro financiamento.

Antes de simular

Cheque duas coisas antes de ir ao banco. Primeiro, a renda familiar bruta somada contra a faixa (a de todos, se for composição de renda). Depois, o preço do imóvel contra o teto nacional e, quando a cidade tiver um teto próprio mais baixo, contra o municipal. Passar um real de qualquer um dos dois tira o financiamento do MCMV e joga a compra para o crédito imobiliário comum, com taxa mais alta.

Se a compra for na planta, simule também o fluxo de juros de obra separado da parcela pós-chaves. O post sobre financiamento Caixa na planta explica como funciona a liberação por medição.


Simule o fluxo mês a mês do seu contrato em jurosobra.com.br

Abrir simulador de juros de obra →